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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A terra é nossa casa comum; a obrigação de não sujá-la, também

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“Para o direito brotar como fonte e a justiça como riacho que não seca, como Amós inspira a Campanha da Fraternidade deste ano, ao saneamento básico de respeito à terra, à agua, à flora e à fauna, à toda a natureza e seu meio-ambiente, enfim, um outro saneamento, esse ético-político, talvez se constitua até em condição prévia”, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG ACesso, Cidadania e Direitos Humanos.

Eis o artigo.

O saneamento básico é daquelas condições de vida digna por si só comprobatório da indivisibilidade e da interdependência dos direitos humanos sociais, especialmente o da saúde e o da moradia. Condição de vida e bem-estar de qualquer ser humano, a universalidade da sua extensão e reconhecimento garantido a toda a terra e a toda a gente não pode sofrer limitação ditada, por exemplo, pelo grau do poder econômico de quem quer que seja.

A oportunidade dessa lembrança foi valorizada em nota do jornal Estado de São Paulo, deste 15 de fevereiro. Sob o título “A urgência do saneamento”, ele chama a atenção para a iniciativa da CNBB em “lembrar, na sua Campanha da Fraternidade deste ano, que não é possível alcançar a almejada justiça social se o país não resolver urgentemente suas graves deficiências na área de saneamento básico. A mensagem, transmitida pelo papa Francisco, é que "o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da fome".

Objetivos dessa dimensão impõem ser debatidos e estudados, com propostas de solução também independentes de posicionamentos ideológicos, classes sociais, religiões, conveniências de mercado ou de outra natureza qualquer.

Por isso mesmo, a Campanha da Fraternidade deste ano não é de iniciativa exclusiva da CNBB, como o jornal parece ter esquecido. Ela é ecumênica, conta com a adesão expressa de cinco Igrejas integrantes do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) e o próprio tema escolhido “Casa Comum, nossa responsabilidade” (edições CNBB, CONIC, Brasilia, 2015), ter-se abrigado sob lema retirado do profeta Amós (5,24), de leitura e respeito também comuns para elas: 

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça como riacho que não seca”.

Parte da análise do texto base da Campanha sobre a situação do direito ao saneamento básico no Brasil, é dedicada a dados estatísticos de quanto a nossa realidade carece desse serviço público e de como o nosso costumeiro atraso em implantá-lo, para só agir depois de catástrofes, compromete a saúde da população, gera doenças e morte. Assim como acontece com outros direitos, moradia e alimentação, por exemplo, também o saneamento básico reflete os efeitos dramáticos da nossa desigualdade social: 

“Basta uma volta pelas cidades para constatar a diferenciação entre os bairros, tanto no que diz respeito às caraterísticas urbanísticas, à infraestrutura, á conservação dos espaços e aos equipamentos e serviços públicos, quanto ao perfil da população. Os mais pobres são justamente os que gastam proporcionalmente mais com o transporte diário, têm mais problemas de saúde por conta da falta de saneamento e são penalizados com escolas de baixa qualidade. Dos domicílios em bairros precários, 76% têm problemas de qualidade de construção e dos serviços básicos, como saneamento e iluminação. Os indicadores que refletem mais explicitamente as desigualdades nas condições de vida são os relacionados ao saneamento básico. O problema do empobrecimento não é exclusivo das cidades. Também no meio rural existem locais com péssimas condições de moradia. Muitos moradores não têm documento de identidade, 16% são analfabetos e 83% têm escolaridade limitada ao Ensino Fundamental ou Médio.” (p.21).

Como a história não cansa de repetir, os efeitos dessa ausência de prestação de serviço devida como direito de todas/os, acabam vitimando as pessoas mais fracas, pobres e indefesas, exatamente as indicadas na Constituição Federal e na maioria das leis, como as merecedoras da maior atenção e respeito: 

“As crianças são as mais atingidas pela falta de saneamento básico. Substâncias tóxicas e bactérias provocam alergias respiratórias, nasais, intestinais e de pele, que vão permanecer com essa criança por muito tempo. As crianças mais afetadas são aquelas que têm entre 0 e 5 anos. A universalização do acesso à coleta de esgoto e água tratada teria uma redução de 6,8% no atraso escolar dos alunos que vivem em regiões sem saneamento, segundo o estudo do ITB e do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e que não têm acesso ao saneamento básico pode chegar a 18%. FGV (Fundação Getúlio Vargas)” (p.33). 

Para o direito brotar como fonte e a justiça como riacho que não seca, como Amós inspira a Campanha da Fraternidade deste ano, ao saneamento básico de respeito à terra, à agua, à flora e à fauna, à toda a natureza e seu meio-ambiente, enfim, um outro saneamento, esse ético-político, talvez se constitua até em condição prévia. 

Para nascer pura, a fonte do direito não pode brotar da terra, poluída pela imposição de um bem como esse ser reduzido a mercadoria, e para a justiça fazer-se valer como riacho que não seca, nenhum dique de dinheiro pode desviar o seu curso para chegar a quantas/os estão sedentos dela.

Fonte: CONIC com informações do IHU Unisinos
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Livro Espiritualidade da Libertação Juvenil

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SBARDELOTTI, Emerson. Espiritualidade da Libertação Juvenil. São Leopoldo: CEBI, 2015. ISBN: 978-85-7733-234-2.

O livro é prefaciado pelo monge Marcelo Barros e apresentado pela teóloga Rosemary Costa. Tem seis capítulos: 1. Espiritualidade e Juventude!; 2. Espiritualidade: um caminho de transformação!; 3. Juventude: um processo de educação na fé!; 4. Espiritualidade da Libertação, o que é?; 5. Espiritualidade Juvenil, o que é?; 6. Caminhos de uma Ecoespiritualidade à serviço da vida: um novo paradigma! O autor apresenta ainda um resumo dos seis capítulos em Retomando o Caminho. Apresenta as referências bibliográficas que utilizou para compor a obra.

Marcelo Barros diz em seu prefácio que o livro é uma aventura bela, mas exigente. É narrada de tal modo que o/a leitor/a se sentirá parte da história, através de uma reflexão que resgata vários textos sobre a Teologia da Libertação e sobre a Espiritualidade da Libertação. O autor convida a aprofundar uma Espiritualidade Libertadora, a partir da realidade e da sensibilidade da juventude atual.

Como toda boa reflexão teológica latino-americana, esse livro parte da prática. O autor entrevistou vários jovens sobre o assunto. Começou a escrever o livro no Congresso Continental de Teologia, de 2012, na Unisinos, em São Leopoldo-RS e o terminou no I Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora, de 2014, em Fortaleza-CE. O livro convida a viver o engajamento libertador no seguimento atualizado de Jesus, não importando de qual Igreja ou Religião seja o/a leitor/a, se descobrirá como viver o aprendizado de uma amorosidade universal.

Rosemary Costa convida em sua apresentação a saborear e a partilhar o livro. O Espírito, que sopra onde quer, se manifesta no novo, na novidade, no broto, fazendo novas todas as coisas. Essa é a chave para a Espiritualidade Libertadora, é a chave para a reflexão que convoca dia a dia, ao mais próximo, ao mais profundo de si mesmo, ao olhar atento e presente a cada ser, a cada realidade, à presença de Deus provocadora e sedutora.

No primeiro capítulo, Espiritualidade e Juventude!, o autor se apresenta e conta um pouco de sua história pessoal, profissional e pastoral. Teólogos e teólogas da libertação que influenciaram em sua caminhada na Pastoral da Juventude e nas Comunidades Eclesiais de Base. Diz que começou a escrever o livro num contexto não favorável à Teologia da Libertação e que terminou o mesmo na revolução iniciada pelo pontificado de Francisco.

No segundo capítulo, Espiritualidade: um caminho de transformação!, se afirma que a espiritualidade é beber do próprio poço, e que se ela não está inserida na caminhada de libertação do povo e ao mesmo tempo fincada na tradição bíblica e eclesial, nada será, não terá nenhuma importância. Neste capítulo apresenta a Fábula do Ser Humano. Explica os significados de mística e espiritualidade. Apresenta uma canção de sua autoria, em parceria com um cantador paulista, Lula Barbosa: Vou fazer uma oração, que tem o refrão “no chão da vida nasce o povo de Deus, no Deus da vida nasce o povo dos céus!”.

No terceiro capítulo, Juventude: um processo de educação na fé!, Emerson Sbardelotti diz que no processo de educação na fé, a juventude parte sempre da realidade em que vive, em que está inserida, na qual há uma sensibilização e testemunho em atividades de massa. Pedagogicamente é quando acontecem as etapas da formação de um grupo de jovens da base: a convocação, a nucleação, a iniciação e a militância.

No quarto capítulo, Espiritualidade da Libertação, o que é?, se apresenta a Espiritualidade da Libertação enquanto viés da espiritualidade de Jesus de Nazaré que fez a opção radical pelos pobres, solidarizando-se com eles, amando-os em profundidade, portanto, libertando-os das prisões (religiosas, sociais, econômicas e políticas) que não os deixavam ser seres humanos. A Espiritualidade da Libertação é útil, oportuna e necessária!

No quinto capítulo, Espiritualidade Juvenil, o que é?, o autor apresenta o depoimento de vários/as jovens durante o papado de Bento XVI e no início do papado de Francisco, para que respondessem a pergunta que dá título ao capítulo. As respostas são variadas e refletem o cenário vivido em ambos os papados. E afirma que a Espiritualidade Juvenil é uma realidade em desenvolvimento e em construção, que brota das entranhas do Povo Santo de Deus.

No sexto capítulo, Caminhos de uma Ecoespiritualidade à serviço da vida: um novo paradigma!, Emerson Sbardelotti diz que a espiritualidade passou e ainda passa por uma grande crise: a ecológica. A ecoespiritualidade pode ser teológica ou não, porém exige de nós uma ética e uma verdadeira conversão, pois mexe com nossos desejos consumistas e modifica nossos valores. O capítulo encerra-se com a oração do Credo da Ecologia Total de D. Pedro Casaldáliga.

Conclui-se que todos/as nós carregamos nas costas uma pergunta fundamental: qual é o sentido na nossa existência? Ela ganha um contorno novo quando uma crise se abate sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre a família, sobre a humanidade. Numa situação de crise o sagrado retorna com força, pois, na medida em que o cotidiano e a história não trazem as respostas que queremos ouvir, começa-se a apelar para o sobrenatural. A Espiritualidade da Libertação Juvenil de Emerson Sbardelotti está aí para fazermos fincar ainda mais os pés no chão.


Fonte: Observatório da Evangelização
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

DIVULGADA NOVAS DATAS DAS PRÉ-CONFERÊNCIAS DE JUVENTUDE

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A Comissão Organizadora Oficial da III Conferência Municipal da Juventude divulgou a reorganização da programação das Pré-Conferências Municipais da Juventude, que será de acordo com o quadro abaixo:
III Conferência Municipal da Juventude será realizada nos dias 08 e 09 de abril de 2016.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Deus Não Está Morto 2 já tem data de estreia no Brasil

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Após o sucesso do filme Deus Não Está Morto com mais de sete milhões de espectadores pelo mundo, sendo mais de 290 mil pessoas apenas no Brasil, segundo o BoxOfficeMojo, a distribuidora California Filmes em parceria com a 360WayUp anunciam a inserção da sequência, sob o título Deus Não Está Morto 2, nas telonas do Brasil a partir do dia 7 de abril.

O filme conta a história de uma professora cristã que tem sua fé colocada à prova em tribunal. Após citar aos seus alunos um exemplo da fé cristã, ela poderá perder seu emprego por falar de Cristo durante a aula.

Nessa trajetória a professora Grace (Melissa Joan Hart) deverá decidir entre negar sua fé ou ir a júri para lutar seu direito à liberdade religiosa.

O longa da produtora Pure Flix apresenta no elenco nomes, como: Melissa Joan Hart (Sabrina – Aprendiz de feiticeira), Jesse Metcalfe (Dallas), Hayley Orrantia (Os Goldbergs), Ernie Hudson (Os Caça-Fantasmas), Sadie Robertson (Os Reis dos Patos), Fred Dalton Thompson (Lei & Ordem), Maria Canals-Barrera (Os Feiticeiros de Waverly Place) e Ray Wise (RoboCop e Star Trek).

Dirigido por Harold Cronk, será possível reencontrar nessa nova produção alguns personagens que fizeram sucesso na história do primeiro filme Deus Não Está Morto.

Confira o trailer:

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MARABÁ E PARAUAPEBAS: Serviços de água e esgoto estão entre os piores do Brasil

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Foto: Portal Pebinha de Açúcar
Parauapebas é um dos municípios do Pará que mais perdem água na rede de distribuição. De cada 100 litros que passam pelos canos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep) rumo às casas, 64 não chegam ao consumidor. Em Marabá, de cada 100 litros de água fornecidos pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), 44 se perdem no caminho.

Os dados foram divulgados ontem, terça-feira (16), pelo Ministério das Cidades em seu “Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos”, referente ao ano de 2014. Esses mesmos dados constam do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e são fornecidos pelas empresas que prestam os serviços, sendo de responsabilidade destas as estatísticas como tais.

A Cosanpa, que atua em Marabá, é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo do Estado do Pará que presta serviço de abrangência estadual, enquanto o Saaep é uma autarquia que presta serviço localmente e está sob a batuta da Prefeitura Municipal de Parauapebas.

CALAMIDADE

O mais grave nem é, na prática, quanto se perde em água na distribuição. Esse é mero detalhe. Em Parauapebas, na área urbana, que tinha 165 mil habitantes em 2014, um batalhão de 30 mil moradores não era atendido com água encanada. Proporcionalmente, de cada dez residentes urbanos, dois não recebem água do Saaep. É um dos percentuais de fornecimento mais baixos do Estado entre os prestadores de serviços locais, uma vez que a maioria absoluta dos municípios nessa categoria atinge fornecimento de água encanada na ordem de 90% e alguns, como Rurópolis, já universalizaram o serviço.

Na cidade de Marabá, que tinha 205 mil habitantes em 2014, a situação é mais grave. Lá, apenas 40% dos moradores eram atendidos com água encanada, o que faz com que os demais se virem nos trinta para cavar poços individuais. Vale ressaltar, contudo, que os reflexos das obras de ampliação do sistema de saneamento de Marabá não surtem efeito no diagnóstico em 2014, tanto assim que a Cosanpa sequer informou ao Ministério das Cidades a situação da rede de esgotamento sanitário da cidade.

No quesito esgoto, aliás, Parauapebas passa um dos maiores vexames entre os municípios com mais de 150 mil habitantes do Brasil. É que apenas 18.800 iluminados, informados pelo Saaep, dispõe desse tipo de serviço na sede municipal. Logo, a realidade dos números aponta que mais de 145 mil moradores vivem em meio a esgoto correndo a céu aberto, não importa a condição social. É uma situação de imundície pior que a registrada em muitos municípios no início do século passado. Só para se ter ideia, em 1900, exatos 116 anos atrás, as cidades de Rio de Janeiro (811 mil habitantes), São Paulo (240 mil), Salvador (206 mil), Recife (113 mil) e Belém (97 mil), as maiores do Brasil à época, já tinham rede de esgoto maior que a de Parauapebas atualmente.

CONSUMO

Se hoje, em pleno século 21, a água é motivo de guerra em vários países e até mesmo no Brasil é motivo de morte – de pessoas, de animais, de plantações –, em Parauapebas e Marabá a gastança “per capita” do líquido precioso é uma farra.

Na “Capital do Minério”, cada morador gasta por dia 156 litros, muitos mais do que o uso recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 110 litros diários por pessoa. E olhe que nem todo mundo tem acesso direto à agua da empresa distribuidora.
O morador da “Rainha do Tocantins” vai ainda mais longe: em Marabá, são gastos 166 litros por dia, isso sem também computar o consumo de quem se vale de poço doméstico.

Tudo isso se mostra um verdadeiro contrassenso que depõe contra a moral e os bons costumes dos serviços de saneamento básico que deveriam ser prestados, a contento, pelas administrações públicas, mas que no frigir dos ovos tornaram-se gargalos irresolutos que revivem o atraso de décadas e abrem as portas para problemas de saúde pública que infernizam a população há séculos.

Os problemas de saneamento em ambos os municípios não nasceram hoje e o pior de tudo isso é que não há perspectivas de melhorias, e estas, quando anunciadas, só ocorrem em passos lentos.

Fonte: Portal Pebinha de Açúcar
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