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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CFE 2016 alerta para necessidade de saneamento básico no Brasil

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“O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis e para a sustentabilidade ambiental”. Com essa mensagem, o papa Francisco convida as pessoas a se mobilizarem, a partir de suas comunidades, para promoção da Justiça e do direito ao saneamento básico, na Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.

Lançada hoje (10) pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e pela pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha vai alertar sobre o direito de todas as pessoas ao saneamento básico e debater políticas públicas e ações que garantam a integridade e o futuro do meio ambiente. Com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, a Campanha também vai tratar do desenvolvimento, da saúde integral e da qualidade de vida dos cidadãos.

O presidente do CONIC, dom Flávio Irala, disse que tratar do tema é fundamental porque nem sempre tem visibilidade nas propostas públicas e nos movimentos sociais. “Nos preocupamos com o fato de que mais da metade da população permaneçam sem acesso à rede de coleta de esgoto e que apenas 40% dos esgotos sejam tratados. Nenhuma pessoa deve ser privada do acesso aos benefícios do saneamento básico em função da sua condição socioeconômica. O acesso ao saneamento promove a inclusão social e a garantia dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos e dos inibidores de doenças, como cólera, febre amarela, chikungunya, dengue, diarreia, bem como para evitar a proliferação do vírus Zika”, disse.


Dados divulgados pelo CONIC mostram que, mesmo estando entre as maiores economias do mundo, o Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas sem saneamento básico.

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, também esteve na CNBB e disse que o governo federal fará sua parte para dar todo apoio à campanha. “É fundamental que possamos continuar investindo cada vez mais, para que tenhamos condições de combater epidemias, que possamos levar qualidade de vida e dignidade às pessoas”, afirmou.

Realizada no Brasil desde 1963, esta é a quarta vez que a Campanha da Fraternidade é lançada pela CNBB junto com o CONIC - as outras ocorreram em 2000, 2005 e 2010. Este ano, a campanha ecumênica conta também com o apoio da Misereor, entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento de países da Ásia, da África e da América Latina.

Audiência com presidente Dilma

Na parte da tarde, membros da diretoria do CONIC e das igrejas envolvidas na CFE 2016 tiveram uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff. Na ocasião, foi entregue a ela uma Declaração Ecumênica cujo teor pode ser conferido na íntegra, a seguir:

SOBRE O SANEAMENTO BÁSICO COMO DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL
CASA COMUM, NOSSA RESPONSABILIDADE

“Quero ver o direito brotar como fonte e
correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am 5.24)

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e a MISEREOR, organização dos bispos católicos romanos da Alemanha assumem conjuntamente a perspectiva do direito à água potável e saneamento básico, que fazem parte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Essa parceria expressa nossa convicção de que estamos vivendo Numa Casa Comum e que temos responsabilidades conjuntas para enfrentar os grandes desafios da humanidade: fome e miséria, justiça e liberdade, direitos humanos para todas as pessoas e a luta por justiça climática. Entendemos que a nossa responsabilidade é comum e diferenciada, como foi dito na Conferência do Rio 1992.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica está em consonância com a Encíclica Laudato Sí’: sobre o cuidado com a Casa Comum do Papa Francisco, com a Peregrinação por Justiça e Paz do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e com a convocação feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), para que religiões colaborem para a promoção de mudanças de valores no que diz respeito ao meio ambiente.

O objetivo dessa Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) é o de “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

A dimensão ecumênica fortalece a compreensão de que o diálogo e a ação conjunta entre igrejas e religiões são necessários e possíveis. A IV CFE coloca-se na contramão da competição e da intolerância religiosas. É um apelo dirigido para todas as pessoas religiosas e de boa vontade para que contribuam com suas capacidades para a promoção da boa convivência, da justiça, da paz e do cuidado com a Casa Comum, nosso planeta terra. Inspiramo-nos no versículo de Am 5.24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca.” e

Compreendemos que:

- A água de qualidade e o saneamento básico são bens essenciais para a concretização de todos os direitos humanos, conforme resolução da ONU A/RES/64/291. Nenhuma pessoa, portanto, deve ser privada do acesso aos benefícios do saneamento básico em função de sua menor condição socioeconômica;

- O acesso ao saneamento deve ser considerado um bem de caráter público, destinado à inclusão social e garantia da qualidade de vida;

- O país só alcançará a universalização do saneamento básico por meio de redobrados investimentos públicos. Sua gestão também deve ser pública. O fornecimento de água deve ser contínuo e suficiente para os usos pessoal, doméstico, comercial e industrial.

- O saneamento básico precisa ser priorizado como uma ação de combate à miséria, buscando a preservação do meio ambiente e a manutenção da saúde pública em níveis adequados;

- O acesso ao saneamento básico é um dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos, de inibidores de doenças como diarreia, cólera, febre amarela, chikungunya dengue, zika;

- A construção de grandes obras, como hidroelétricas, não deve ser executada sem o pleno cumprimento da Convenção 169/OIT e sem um planejamento que inclua os serviços de saneamento básico;

- O desperdício de água atinge principalmente as pessoas economicamente vulneráveis. Nesse sentido, é inadmissível que, em meio à mais grave crise hídrica já vivida por nosso país, em especial no Nordeste e no Sudeste, continue-se perdendo aproximadamente 40% da água tratada e potável nos sistemas de distribuição, seja por vazamentos ou ligações clandestinas.  Fortalecer a cultura do não desperdício é um desafio;

- É necessário ouvir as mulheres no processo de implementação das políticas de saneamento básico, tendo em vista que são elas as principais usuárias e cuidadoras da água para consumo doméstico e para a agricultura de subsistência. Também são as mulheres que desempenham as tarefas de educação das crianças e cuidado com a saúde familiar;

- A coleta seletiva do lixo precisa ser ampliada, pois é importante para a destinação e tratamento adequados dos resíduos e para a reciclagem, que beneficia mais de um milhão de recicladores no país;

- É importante a valorização dos Comitês de Bacias Hidrográficas para fortalecer a coordenação entre os municípios nas ações relacionadas ao saneamento básico.

Preocupa-nos:

- O avanço lento dos serviços de saneamento básico no país, apesar dos esforços do governo federal, dos governos estaduais e municipais realizados nos últimos anos;

- Que mais da metade da população permaneça sem acesso às redes de coleta de esgotos e que apenas 40% dos esgotos coletados sejam tratados;

- A situação do saneamento na Região Norte e Nordeste. Na região Norte, menos de 10% dos habitantes tem acesso à coleta de esgoto e na região Nordeste, menos de 25%;  

- A falta de clareza sobre como avançar de forma mais efetiva nos serviços de saneamento básico nas áreas rurais, indígenas, quilombolas, áreas irregulares, semiárido brasileiro, entre outras populações excluídas;

- A falta de uma política de Educação Ambiental, coordenada pelo Ministério da Educação, voltada para as crianças em relação aos temas da água, do esgotamento sanitário, da produção, coleta e destino final dos resíduos sólidos;

- A degradação de rios, lagos, reservatórios e praias pelo lançamento indiscriminado de esgotos. Este é o caso dos rios Paraíba (SP e RJ), Tietê, Pinheiros (SP), Baía da Guanabara (RJ), Rio Ipojuca (PE), Iguaçu (PR), dos Sinos (RS), das Velhas (MG), Doce (MG e ES), São Francisco (MG, BA, PE, SE, AL), sem falar de toda a bacia amazônica;

- A existência dos chamados “rios mortos de Classe 4” na legislação brasileira. Esses rios recebem os esgotos com pouco ou nenhum tratamento;

- A construção das nove usinas hidroelétricas previstas para o rio Tapajós, no Pará sem o cumprimento da Convenção 169 da OIT. Tais obras geralmente não consideram a ampliação dos serviços de saneamento básico;

- Os recentes cortes no Orçamento Geral da União que impactam nas políticas de universalização do saneamento básico. Referimo-nos aos cortes de 3,7 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o corte de recursos não onerosos de 50% no Ministério das Cidades e a redução de aproximadamente 70% na Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), responsável por subsidiar as ações de saneamento básico nos municípios de pequeno porte.

Comprometemo-nos a:

- Estimular nossas igrejas, comunidades eclesiais, organismos ecumênicos a se mobilizarem em favor dos Planos Municipais de Saneamento básico;

- Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, em especial da água;

- Apoiar e fortalecer as mobilizações que têm como objetivo a eliminação de focos de mosquitos transmissores da dengue, da febre chikungunya e do zika;

- Incentivar o cultivo de valores espirituais que fortaleçam o cuidado com o planeta;

- Contribuir para a difusão de uma cultura de não desperdício, em especial da água e dos alimentos;

- Contribuir para que catadores e catadoras que trabalham na coleta seletiva do lixo sejam respeitados e respeitadas como cuidadores e cuidadoras especiais do meio ambiente;

- Assumir, em irmandade ecumênica, a corresponsabilidade na construção de um mundo sustentável e justo para todas as pessoas.

Brasília, 10 de fevereiro de 2016.

Fonte: CONIC com informações da EBC
Fotos: Elza Fiuza/Agência Brasil
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Cartaz da Semana da Cidadania é lançado

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A Pastoral da Juventude (PJ), Pastoral da Juventude Estudantil (PJE), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) lançaram, no último sábado (6), o cartaz oficial que ilustrará a Semana da Cidadania de 2016 (SdC 2016), que acontece de 16 a 23 de abril e traz como tema “Juventude e Bem Comum” e o lema “Unidos por uma luta comum: terra, teto e trabalho”.

Iluminados pelo Evangelho de Mateus (5,6) “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”, a Semana se encontra em sintonia com a temática da Campanha da Fraternidade 2016. O objetivo principal desta atividade é fazer com que a juventude reflita mais profundamente, em grupo sobre algumas ações presentes em seu cotidiano, convidando-a a se organizar em torno de projetos práticos, com reflexos na sociedade, visando a transformação social, em comunhão com a Igreja e outros organismos da sociedade civil.

A arte que ilustra o evento foi desenvolvida pelo artista paulista João Carlos Teixeira, com arte gráfica de Giovanni Giacomini. Segundo Teixeira, o grande destaque da obra são as três mãos erguidas em direção ao céu. “Cada uma representa um jovem clamando por uma demanda específica: terra, trabalho e teto. As mãos fechadas segurando as faixas representam mãos em um protesto, que erguem a bandeira da sua causa, ao mesmo tempo que, cerradas, são mãos prontas para lutar por seus objetivos”, disse.

O subsídio de estudos da SdC 2016 será lançado em breve pelas Pastorais da Juventude, sendo divulgado nos sites específicos e no Jovens Conectados.

Para conferir todas as novidades do evento, acompanhe a página no Facebook

História

A SdC é uma atividade permanente ecumênica, marcada por atividades concretas que desenvolvam o exercício da cidadania por adolescentes e jovens, envolvendo diversos segmentos da sociedade.

Desde 1995, tem seu tema definido a partir da Campanha da Fraternidade, e é promovida anualmente, em abril, pelas Pastorais de Juventude, sempre na semana que compreende os dias 14 a 21.

Fonte: Jovens Conectados
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Metodologia e juventudes: Conselhos de Jetro aos nossos grupos

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Cleber Pagliochi*

No caminhar revelamos nosso jeito de ser. Quando olhamos alguém caminhando, notamos rapidamente como esta pessoa se sente. Se está de cabeça baixa, algo o preocupa. Se está com a cabeça alta, pode ser alguém altivo, “nariz empinado” como costumamos dizer. Se caminha mancando, está machucado, … e aí segue muitos elementos que poderiam ser analisados.

Assim também acontece quando estamos em qualquer lugar, com qualquer pessoa: mostramos quem somos no jeito de fazer as coisas, de se relacionar, ou seja, “metodologizamos”. Conforme esta metodologia, que considero nosso jeito de ser, construímos o mundo que nos rodeia e os grupos que participamos. Por isso, é muito importante que reflitamos nossa metodologia, nosso caminhar. Penso em uma cena bíblica para este fim.

A cena é a do encontro de Jetro com Moisés (Ex 18, 14-24). Depois da fuga da escravidão organizada e liderada por Moisés, o povo caminha até as terras de seu sogro, Jetro. Vários dias neste local e a atitude observadora, fizeram Jetro perceber que o jeito de seu genro liderar não estava certo. Ele concentrava todo o poder, decidia tudo sozinho… Diante disto, Jetro diz: “O que é que você está fazendo com o povo? Por que está sentado sozinho, enquanto todo o povo te procura de manhã até a noite?” (Ex 18,14). Moisés responde: “É porque o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando têm uma questão, vêm a mim. Julgo entre um e outro e lhes faço conhecer os decretos de Deus e as suas leis” (Ex18,15-16).

Esta ação de Moisés é facilmente reproduzida em nossos grupos, nas nossas ações, no nosso jeito de liderar. É fácil encontrar líderes que não conseguem guiar sem ter medo de perder o poder. Mal sabem que o poder compartilhado faz com que seja muito mais fácil de guiar. Mas o argumento não é este, a facilidade, mas sim o processo feito. Um grupo onde o coordenador lidera sozinho está fadado a morte. Esta afirmação é forte, mas é real. Quando alguém não consegue inserir outras pessoas no processo, se torna indispensável ao grupo, e quando este sai, o grupo morre. Como afirma Jetro: “certamente desfalecerás, tu e o povo que está contigo, porque a tarefa é muito pesada para ti; não poderás realizá-la sozinho” (Ex 18, 18).

Quando olhamos esta ação, notamos que os demais jovens não compreendem a caminhada, não foram iniciados, não são protagonistas, não vivem a liberdade do grupo.Consequentemente, não saberão dar continuidade a este. Para que isto não aconteça, é importante que escutemos o conselho de Jetro: “Representa o povo diante de Deus, e introduze as suas causas junto de Deus. Ensina-lhes os estatutos e as leis, faze-lhes conhecer o caminho a seguir e as obras que devem fazer” (Ex 18, 19-20). Esta parte do conselho é central ao texto. Ela sugere a necessidade de partilhar o conhecimento, partilhar o modo de ser.

É importante que todos os que caminham saibam para onde vão, amadureçam este caminhar, participem da caminhada. O bom líder é aquele que consegue partilhar daquilo que sabe. Afinal, partilhando se constrói junto um caminhar, abre espaço para as diferenças de pensar e de ser, cria ambiente para o novo ser gestado. Além disso, a abertura gera também um comprometimento, atitude fundamental para a continuidade do processo.

Jetro segue dizendo: “Mas escolhe do meio do povo homens capazes, tementes a Deus, seguros, incorruptíveis, e estabelece-os como chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez. Eles julgarão o povo em todo tempo. Toda causa importante trarão a ti, mas toda causa menor eles mesmos julgarão. Assim será mais leve para ti, e eles levarão a carga contigo. Se assim fizeres, e Deus te ordenar, poderás então suportar este povo, que por sua vez tornará em paz ao seu lugar” (Ex 18, 19-23).

Esta parte final do conselho nos conduz a existência de papéis nos grupos e na Pastoral da Juventude. Cada um, ao seu modo de contribuir pode fazer algo. Uns sabem cantar, outros tocar, outros ainda se dão bem em organizar o ambiente de encontro. Estes dons precisam ser valorizados. Estas diferenças de dons, posta em serviço e coordenada, auxilia na dinamicidade e alegria do grupo.

Outro elemento importante que perpassa toda metodologia proposta por este texto bíblico é a de que somos sempre guiados por Alguém maior. Por um Plano de Deus que nos orienta, ao qual chamamos de Civilização do Amor ou de Reino de Deus. Neste sentido, quem lidera os grupos não lidera para si, para se enaltecer, para criar fama ou status. Quem lidera, assume uma grande missão, a de auxiliar no caminho da libertação, como fez Moisés.

Portanto, é importante que em nossas ações saibamos que nosso caminhar é sempre conjunto, é partilhado. Bom líder é aquele que consegue fazer com que todos participem e sentem-se parte do caminhar.

* Cleber Pagliochi é presbítero da Diocese de Chapecó/SC e militante da Pastoral da Juventude.

Fonte: Pastoral da Juventude
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O CONGRESSO JOVEM E SUAS ORIGENS

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Congresso Jovem: Encontro, história, vida e partilha, concretizando os sonhos dos jovens.

 “Temos apenas duas mãos e os sentimentos do mundo”
Carlos Drummond de Andrade

O Congresso Jovem tem sua origem no grupo de jovens JUPAC (Jovens unidos pela paz e amor de Cristo), da comunidade São José Operário na F12, Nova Marabá – Marabá - PA, que na época, pertencia à paróquia Sagrado Coração de Jesus e que tinha como coordenador do grupo Valdecy Meirelles, hoje assessor da Pastoral da Juventude.

No início o evento não recebia o nome de Congresso. Dos anos de 1996 a 1999 recebia o nome de CARNACRISTO que era o encontro de carnaval com cristo, onde os jovens do grupo JUPAC e grupos convidados se reuniam para comemorar o Carnaval de forma diferente, com a cara da Pastoral da Juventude.

Foi a partir de 1999, na semana da pátria, que aconteceu o Minicongresso Jovem, que tinha como tema a passagem bíblica do evangelho de Lucas (4,18-19) e lema: “Temos apenas duas mãos e os sentimentos do mundo”. Frase do grande poeta Carlos Drummond de Andrade.

A metodologia utilizada para realização do Minicongresso foi a exposição de temáticas pelos jovens em estilo de feira de ciências. Participaram os jovens do grupo JUPAC e Jovens de outros 16 grupos de jovens da Nova Marabá.

Somente no ano de 2000 o evento foi elevado à categoria de congresso. Naquele ano estava-se comemorando os 500 anos da chegada dos europeus no Brasil e daí adotou-se o tema: O Brasil são outros 500.

A metodologia utilizada foi palestras de subtemas variados em relação ao tema geral. Foi feita missões nas casas para arrecadar alimentos para o evento. Na primeira noite os jovens convidados dormiram nas casas dos jovens do grupo JUPAC. Somente a partir da segunda noite é que os jovens foram para a Escola Pedro Cavalcante, local onde aconteceu o congresso.

Participaram desse congresso, jovens de 16 grupos da Nova Marabá, de Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Nova Ipixuna e do Bairro Novo Horizonte da Paróquia Nossa Senhora da Conceição.

Nos anos de 2001 e 2002, o Tema e o Lema do congresso foram o mesmo da Campanha da Fraternidade dos respectivos anos, utilizando a mesma metodologia do anto anterior, assim também como os grupos participantes.

No ano de 2003, o congresso foi realizado no colégio Santa Terezinha, Bairro Amapá, Paróquia Nossa Senhora da Conceição, mas coordenada pelos jovens do grupo JUPAC.

Teve-se como tema para estudo ÉTICA, que foi assessorado pelo querido Pe. Albano da paróquia São Francisco, Cidade Nova, e a missa do congresso foi celebrada pelo Pe. Ademir.

Em 2004, 2005 e 2006 o congresso voltou a ser realizado na comunidade São José Operário, FL12, obedecendo a mesma metodologia, mas com um número de participante cada vez maior.

Devido a divisão de Paróquias na Nova Marabá e o número de participantes cada vez maior, tomou-se a decisão que a partir de 2007, o congresso seria um evento a nível diocesano e assim foi.

2007-Eldorado dos Carajás; 2008-Não houve congresso, aconteceu o encontro da juventude do campo e da cidade em Marabá; 2009-Jacundá; 2010-Marabá; 2011-Canaã dos Carajás; 2012-Parauapebas; 2013-Goinésia do Pará; 2014-Marabá; 2015-São Domingos.

2016-Quem nos recebe é a terra sagrada de Curionópolis, sob a proteção da Manto Sagrado de Nossa Senhora das Dores.

Nestes 16 anos de sucesso o congresso Jovem tornou-se a maior evento de massa da Pastoral da Juventude na diocese de Marabá. Espiritualidade, encontros, estudos, caminhadas, missões, enfim o sonho dos jovens tornando-se realidades no meio da sociedade em forma de Congresso.

Foram os primeiros organizadores do Congresso: Valdecy Meirelles (Coordenador do Grupo JUPAC); Estela, Thesco, Chaguinha, Elisangela, Mauro Sérgio, Carlos Sérgio, Rubens, Antônio do Gildo e outros 30 jovens que integravam o grupo de Jovens JUPAC.

Congresso Jovem, vida e partilha no meio dos Jovens.

Memória de Valdecy Meirelles, Marabá-Pará, Janeiro 2016.
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VIDA E MEMÓRIA DO CONGRESSO JOVEM

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Lembro com detalhes do primeiro Congresso Jovem que participei, o ano foi 2006, lembro também de ouvir falar dos CJs que já tinham acontecido e se não estou enganada em 2002 dei um pulo no CJ aqui em Marabá, que até 2005 era organizado pela turma pjoteira da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré.

Em 2006, jovens e assessores/as das paróquias Nossa Senhora de Nazaré, São Francisco (da qual participava) e Nossa Senhora da Conceição, somaram forças e sonhos e assim realizaram o CJ no Brejo do Meio, vila de Marabá. E eu, no meio de toda aquela novidade, sentindo o perfume da novidade do CJ. A oficina que assessorei foi sobre Vocação Missionária, muitas e muitas lembranças me veem agora. Lembro também que as paróquias de Itupiranga, Nova Ipixuna, Palestina e Brejo do Meio fizeram presença. Ali já era um ensaio para o CJ de 2007 que ainda não sabíamos, mas que viríamos a ousar e a realizar o primeiro CJ diocesano.

De lá pra cá, tem sido tantas as oficinas, tantas os rostos e tantas as aprendizagens.

O CJ, assim como as demais atividades da Pastoral da Juventude, não se restringe a um evento isolado, a um momento estanque, pois a PJ é de processos, sendo assim, as atividades não começam e nem terminam nelas mesmas, elas dão liga, conexão, sentido umas as outras. E o que guia é o seguimento ao projeto de Jesus Cristo.

Um dos eixos do CJ é a formação, percebida com mais evidência nas mesas de debate e nas oficinas quando é aprofundada um pouco mais a temática que rege o CJ daquele ano, porém a formação acontece em todo o congresso: a missa, os odjs, a missão, a marcha/ato público, a divisão dos trabalhos de limpeza, organização...feitos em grupo,  cada um/a lavar seu próprio prato, copo e talheres, os acordos de convivência,  enfim tudo é pedagógico. Em andanças nas paróquias de nossa diocese e em dioceses vizinhas que nos últimos CJs vêm fazendo presença, percebo sinais metodológicos do CJ. Importante dizer que é uma relação mútua: o CJ escuta os sinais dos grupos e os grupos escutam o fazer do CJ. 

O CJ é também espaço de oração e missão jovem. São esses eixos que dão sentido ao fazer no CJ. É o que alimenta e compromete a lutar pela vida plena, luta essa expressada também nas marchas pelas ruas.

O CJ é vibrante, é alegria, é partilha.

Experimentar tudo isso é ter a cada ano a oportunidade de escutar e de aprender um pouco mais sobre e com os/as jovens.

Rezo ao bom Deus que muitos e muitos CJs aconteçam, e que cada vez mais seja um espaço que evidencia a vida dos grupos de jovens através de encontro, alegria, estudo, luta, oração, missão e celebração da vida!!!!

Forte abraço! 
Loide Souza
CNAPJ


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